Festa de Cristo Rei – Encerramento do Ano Litúrgico

A Festa de Cristo Rei é uma das festas mais importantes no calendário litúrgico, nela celebramos aquele Cristo que é o Rei do universo. O seu Reino é o Reino da verdade e da vida, da santidade e da graça, da justiça, do amor e da paz.

Esta festa foi estabelecida pelo Papa Pio XI em 11 de março 1925. O Papa quis motivar os católicos para reconhecer em público que o líder da Igreja é Cristo Rei. Mais tarde a data da celebração foi mudada dando um novo senso.

O ano litúrgico termina com esta que salienta a importância de Cristo como centro da história universal. É o alfa e o omega, o princípio e o fim. Cristo reina nas pessoas com a mensagem de amor, justiça e serviço. O Reino de Cristo é eterno e universal, quer dizer, para sempre e para todos os homens.

Esta festa tem um sentido escatológico na qual nós celebramos Cristo como Rei de todo o universo. Nós sabemos que o Reino de Cristo já começou a partir de sua vinda na terra a quase dois mil anos, porém Cristo não reinará definitivamente em todos os homens até que volte ao mundo com toda a sua glória no final dos tempos. Jesus nos antecipou sobre esse grande dia, em Mateus 25, 31-46.

Na festa de Rei de Cristo celebramos que Cristo pode começar a reinar em nossos corações no momento em que nós permitimos isto a ele, e o Reino de Deus pode deste modo fazer-se presente em nossa vida. Desta forma estabelecemos o Reino de Cristo de agora em diante em nós mesmos e em nossas casas, emprego e vida.

Jesus nos fala das características do seu Reino por várias parábolas no capítulo 13 de Mateus:

“O reino dos céus é semelhante ao grão de mostarda que o homem, pegando dele, semeou no seu campo”.

“O qual é realmente a mais pequena de todas as sementes; mas, crescendo, é a maior das plantas, e faz-se uma árvore, de sorte que vêm as aves do céu, e se aninham nos seus ramos”.

“O reino dos céus é semelhante ao fermento, que uma mulher toma e introduz em três medidas de farinha, até que tudo esteja levedado”.

“Também o reino dos céus é semelhante a um tesouro escondido num campo que um homem achou e escondeu; e, pelo gozo dele, vai, vende tudo quanto tem, e compra aquele campo”.

Nestas parábolas Jesus nos faz ver claramente que vale a pena procurar e viver o Reino de Deus, isto vale mais do que todos os tesouros da terra e que o crescimento dele será discreto, sem ninguém perceber, mas efetivo.

A Igreja tem a responsabilidade de orar e aumentar o reinado de Jesus Cristo entre os homens. O aumento do Reino de Deus deve ser o centro de nossa vida como membros da Igreja. Fazer com que Jesus Cristo reine no coração dos homens, no peito das casas, nas comunidades e nas cidades.

Com isto nós poderemos chegar a um mundo novo no qual reinará o amor, a paz e a justiça e a salvação eterna de todos os homens.

Para que Jesus reine em nossa vida, devemos em primeiro lugar conhecer Cristo. A leitura e reflexão do Evangelho, a oração pessoal e os sacramentos são os meios para conhece-Lo e as graças recebidas vão abrindo os nossos corações a seu amor. Trata-se de conhecer Cristo de uma maneira experimental e não só teleológica.

Oremos com profundidade escutando o Cristo que nos fala. Ao conhecer Cristo expressaremos o amor de maneira espontânea, por que Ele é bondade.

O amor a Cristo nos levará quase sem perceber a pensar como Cristo, querer como Cristo e sentir como Cristo, vivendo uma vida de verdadeira caridade e Cristandade autentica. Quando imitarmos Cristo conhecendo-o e amando-o, então podemos experimentar seu Reino.

O compromisso apostólico consiste em levar nosso amor para a ação de estender o Reino de Cristo a todas as almas por meio de trabalhos concretos de apostolado. Nós não podemos parar. Nosso amor aumentará.

Dedicar a nossa vida a expandir o Reino de Cristo na terra é o melhor que podemos fazer, pois Cristo nos recompensará com alegria e uma paz profunda e imperturbável em todas as circunstancias da vida.

Ao longo da história existem inumeráveis testemunhos de cristãos que deram a vida por Cristo como o Rei de suas vidas.

Novena Jesus Cristo Rei

Oração para todos os dias.

Onipotente e sempiterno Deus, que quisestes restaurar em vosso querido Filho, Rei do Universo, todas as cosias, concedei-nos que todas as famílias das pessoas desagregadas pela ferida do pecado se submetam a seu suavíssimo império.

Que convosco e o Espírito Santo vive e reina Deus por todos os séculos dos séculos. Amém.

Primeiro Dia

” A quem buscais?- A Jesus Nazareno? Eu sou”. Senhor e Rei nosso: sempre deixas que descubram vosso amor, ainda quando tuas criaturas tão amadas por Vós, te busquem para martirizar-vos.

Sabendo que vós sois Jesus Nazareno, vos buscamos hoje de novo para prender-vos outra vez, mas não com cadeias e cordas, mas sim com nossas misérias e nossos amores, pois sabemos que é o que mais ata e sujeita vosso misericordioso e amante coração, e assim preso por amor, conduzir-vos em triunfo ao trono que vos tem formado os corações amantes, para que comeces vosso reinado de misericórdia e amor na terra. Amém.

Obséquio:

Cumprir com fidelidade minhas obrigações por ser laços de amor que me unem com Jesus.

Unindo meu coração ao Coração de Cristo Rei e minhas intenções as suas, rezarei: Pai-Nosso, Ave-Maria e glória.

Eterno Pai, derramai tuas misericórdias sobre toda a terra, reino de vosso Filho Jesus. Amém.

Oh! Cristo Rei!, estabelece vossa paz em vosso reino. Amém.

Espírito Santo, abrasai ao mundo em vosso puríssimo e ardente amor. Amém.

Mãe querida, une cada vez mais e mais a vosso Filho Divino, todo misericórdia, com teus filhos na terra. Amém.

São José, ensinai-nos a amar a Jesus e a Maria. Amém.

Segundo Dia

“Cristo, adivinha quem vos tem ferido”. Oh! Jesus amante e bom!, aquela noite triste de vossa Paixão vossos olhos divinos viam através dos séculos todos os nossos pecados e esquecias que tão dolorosamente feriam vosso Divino Coração, tanto, que para que vossa pureza não vos fizestes fugir de nós, não como os soldados fecharam vossos olhos, mas sim que agora o amor vende vossos olhos, a fim de que não vejas mais que as almas tanto se perdem sem a vossa graça.

Fazei que essas almas as que com vosso sangue e vossas lágrimas tem lavado e purificado cheguem a amar-vos com tanto entusiasmo, que se cerrem seus olhos a todo o que não sejas Vós Rei de seus amores.

Fazei, Senhor, que os homens vos conheçam e vos amem. Amém.

Obséquio:

Fechar os olhos a tudo o que não seja Jesus.

Unindo meu coração ao Coração de Cristo Rei e minhas intenções as suas, rezarei:

Pai-Nosso, Ave-Maria e glória.

Terceiro Dia

“Logo vós sois Rei? – bem dizes: Eu sou Rei.-Eu tenho vindo ao mundo para dar testemunho da verdade.- e o que é a verdade?”.

Deus nosso Senhor é a verdade por essência, e é verdade encantadora, é verdade que entusiasma o coração; que este Deus onipotente se fez Homem por mim, e me amou entre desprezos, entre burlas, entre toda classe de sofrimentos, e não por ser necessário para salvar-me, pois umas gotas de seu sangue bastavam para isso, mas sim por ser necessário ao amor grande e infinito que ardia em seu coração pelas almas.

Senhor, e Rei nosso : ensinai-nos a amar como Vós, sem retroceder ante o sacrifício e a dor, pois queremos sofrer e amar, para que nem um só coração deixe de amar-vos; fazei-los todos vossos.-Amém.

Obséquio:

Abraçar-me com o que me faça sofrer.

Unindo meu coração ao Coração de Cristo Rei e minhas intenções as suas, rezarei:

Pai-Nosso, Ave-Maria e glória.

Quarto Dia

“Desprezando-lhe Herodes com todo seu exército e vestindo-lhe uma roupa branca, dele riram e lhe mandaram a Pilatos.”

Oh! Jesus divino Rei nosso !, quão grande tem de ser nosso amor até Vós, que pelo nosso quisestes ser zombado e tido por louco, e em verdade, Jesus meu, loucura de amor parece, o que a grandeza de Deus se encerre no corpinho de um Menino, que o poder de Deus esteja sujeito com cravos, que este mesmo Deus e Homem se esconda em uma pequena Hóstia, e enamorado venha buscando a intimidade de nossos corações, para ter neles suas delicias;

Jesus amante e bom, que o fogo de vosso amor nos converta também em pequenas hóstias, que escondidas em vosso Coração encontrem verdadeiro asilo, para que vós sejas conhecido e amado.

Obséquio:

Fugir de todo o que me possa fazer gosto.

Unindo meu coração ao Coração de Cristo Rei e minhas intenções as suas, rezarei:

Pai-Nosso, Ave-Maria e glória.

Quinto Dia

“Vamos a coroar-lhe de Rei.-Salve, Rei dos judeus, e cuspindo lhe tomavam seu bastão e lhe feriam sua cabeça e lhe davam bofetadas.”

Que pensavas Jesus meu naquela triste prisão? que desejavas quando eras coroado de espinhos, quando eras maltratado? apenas duas coisas,

Oh! sabedoria e amor infinitos!: que vossa Eterno Pai fosse glorificado, que as almas se salvassem; e poderíamos pensar as almas em outra coisa que não em Vós?

Poderá nossos corações desejarem outra coisa que não que se repitam por amor aquelas palavras “Salve Rei”, mas não apenas dos judeus, mas sim de todas as nações da terra conquistadas com teus sofrimentos e vossa morte?

Que o grito ” Vamos a coroar-lhe por Rei! ” ressoe por amor em toda a terra, Oh! Deus meu!. Amém.

Obséquio:

Apartar meu pensamento do que não seja Deus.

Unindo meu coração ao Coração de Cristo Rei e minhas intenções as suas, rezarei:

Pai-Nosso, Ave-Maria e glória.

Sexto Dia

“Ecce Homo.-Eis aqui a vosso Rei.” Oh! divino Jesus!, como te apresentam por Rei, coroado de espinhos vossa cabeça, vossa corpo coberto de feridas, cheios de lágrimas teus olhos ; mas era preciso que essa fosse vossa apresentação, pois não apenas sois nosso Rei, mas sim nosso modelo, e nunca melhor que isto podias dizer: “Aprendei de Mim que sou manso e humilde de coração.”. Caíram, Senhor, em presença de tanta grandeza, de tanta humildade, de tanto amor, todos os ídolos que ficam em nossos corações. Deixai-nos recolher vosso sangue e tuas lágrimas, para que derramando-as sobre os corações de todas as criaturas sejamos de novo purificados e envoltos no amor. Amém.

Obséquio:

Procurar com empenho a humildade.

Unindo meu coração ao Coração de Cristo Rei e minhas intenções as suas, rezarei:

Pai-Nosso, Ave-Maria e glória.

Sétimo Dia

“Senhor, lembrai-vos de mim quando vier o vosso reino.-Em verdade te digo que hoje estarás comigo no paraíso.”

Quiséramos, Senhor, apresentar no dia de vossa festa os corações de todos os homens rendidos a vosso amor; mas olhai, Rei nosso, quantos milhões deles estão envoltos nas trevas da morte e do pecado e não vos conhecem; por eles vos pedimos nós que temos a sorte de conhecer vosso coração, todo misericórdia. “Senhor, lembrai-vos destes desgraçados quando estiveres em vosso Reino”, fazei-nos, Senhor, ouvir: “logo, muito logo estarão comigo no paraíso”. Amém.

Obséquio:

Atos de fé, esperança e caridade.

Unindo meu coração ao Coração de Cristo Rei e minhas intenções as suas, rezarei:

Pai-Nosso, Ave-Maria e glória.

Oitavo Dia

“Mulher, tens aí vosso Filho.” “Eis aí vossa Mãe.”

Mas um dos soldados lhe abriu o peito com uma lança e saiu dele sangue e água.

A Mãe de nosso Deus é nossa Mãe querida! que felicidade e que confiança! o coração de nosso Deus é nosso céu, nosso tesouro.

Mãe bendita, queremos amar-vos como vos amava Jesus, e a Ele, como vós o amavas; ensinai-nos as delicadezas do amor, a felicidade da vida de união, de união íntima, confiante, amorosa; fazei-nos pequenos, muito pequenos, para poder entrar e perder-nos no Coração de Jesus, sem ter mais motivo nem desejo que vos amar e fazer-vos amar. Amém.

Obséquio:

-Consagrarei-me de todo coração a Santíssima Virgem.

Unindo meu coração ao Coração de Cristo Rei e minhas intenções as suas, rezarei:

Pai-Nosso, Ave-Maria e glória.

Nono Dia

“Jesus Nazareno, Rei dos judeus.” “Regnavit a ligno Deus” “E ao nome de Jesus dobraram os joelhos no céu, na terra.”

Oh! Rei divino!, ao apresentar-vos neste dia bendito nossas adorações, vos oferecemos quanto somos, temos e desejamos; não nos detêm nossa miséria, pois sois todo misericórdia;

Confiamos conseguir todos os nossos pedidos, pois sois todo amor e o amor atende sempre, e vos o pedimos em união de nossa Rainha e Mãe Imaculada e dos anjos custódios de todas as almas.

Senhor !, tirai de vosso reino os demônios e a todos teus inimigos e concede a Igreja uma era de paz.

Levai a Vós neste dia as almas do purgatório, um perdão geral a todos os pecadores e pondo luz em suas inteligências e amor em seus corações, provai uma vez mais que é maior vossa misericórdia que nossa malícia e miséria.

Cheio de amor e pureza aos sacerdotes, aos pequenos e as almas a Vós consagradas, formando delas essas legiões de almas puras, humildes e amantes que vós desejas:

Almas pequenas que como grãos de trigo, formem todas em uma perfeita união de intenções e corações com a Vítima divina do Calvário e do altar uma hóstia que aplaque ao céu pelos pecados da terra e faça descer sobre ela perdão e misericórdia para os desgraçados pobres pecadores, por essas almas que queres que sejam as delicias de vosso Coração na terra e vossa corte de amor no céu.

Obséquio:

Abandonar-me no coração de Deus.

Unindo meu coração ao Coração de Cristo Rei e minhas intenções as suas, rezarei: Pai-Nosso, Ave-Maria e glória.

Depois, se rezam cinco Pai-Nossos, cinco Ave-Marias e cinco glórias pelas cinco chagas de Jesus Cristo, e outro Pai-Nosso, pela intenção do Santo Papa, para poder ganhar todas as outras indulgências concedidas a esta devoção.

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Ano Litúrgico

Nota: A palavra “festa”, no gráfico, não indica o grau litúrgico da celebração, mas apenas seu sentido genérico.

CONSIDERAÇÕES INICIAIS

01 – Chama-se Ano Litúrgico o tempo em que a Igreja celebra todos os feitos salvíficos operados por Deus em Jesus Cristo. “Através do ciclo anual, a Igreja comemora o mistério de Cristo, desde a Encarnação ao dia de Pentecostes e à espera da vinda do Senhor” (NUALC nº 43 e SC nº 102).

02 – Ano Litúrgico é, pois, um tempo repleto de sentido e de simbolismo religioso, de essência pascal, marcando, de maneira solene, o ingresso definitivo de Deus na história humana. É o momento de Deus no tempo, o “kairós” divino na realidade do mundo criado. Tempo, pois, aqui entendido como tempo favorável, “tempo de graça e de salvação”, como nos revela o pensamento bíblico (Cf. 2Cor 6,2; Is 49,8a).

03 – As celebrações do Ano Litúrgico não olham apenas para o passado, comemorando-o. Olham também para o futuro, na perspectiva do eterno, e fazem do passado e do futuro um eterno presente, o “hoje” de Deus, pela sacramentabilidade da liturgia (Cf. Sl 2,7; 94(95)7; Lc 4,21; 23,43). Aqui, enfatiza-se então a dimensão escatológica do Ano Litúrgico.

04 – O Ano Litúrgico tem como coração o Mistério Pascal de Cristo, centro vital de todo o seu organismo. Nele palpitam as pulsações do coração de Cristo, enchendo da vitalidade de Deus o corpo da Igreja e a vida dos cristãos.

TEMPO CÓSMICO E VIDA HUMANA

05 – Como sabemos, a comunidade humana vive no tempo, sempre em harmonia com o ano natural ou cósmico, com as mudanças básicas e salutares das quatro estações climáticas. Estas como que dinamizam a vida humana, quebrando-lhe toda possível rotina existencial. A pessoa é, pois, chamada a viver toda a riqueza natural da própria estação cósmica. Na organização da sociedade humana, o ano cósmico é chamado ano calendário ou ano civil. Nele, as pessoas, em consenso universal, desenvolvem as tarefas da atividade humana.

ANO LITÚRGICO E PROJETO DE DEUS

06 – Como a vida humana, no seu aspecto natural, se desenvolve no clima salutar do ano cósmico, assim também a vida cristã, na plena comunhão com Deus, vai viver o projeto do Senhor numa dinâmica litúrgica própria de um ano específico, chamado, como vimos, Ano Litúrgico.

07 – O Ano Litúrgico não deve, porém, ser visto como um concorrente do ano civil, porque, mesmo este, é um dom do Criador. Deus, inserindo-se no tempo, através de Cristo, pela Encarnação, santificou ainda mais o tempo. Por isso, todo o tempo se torna também tempo de salvação.

SIMBOLISMO DO ANO LITÚRGICO

08 – O Ano Litúrgico tem no círculo a sua simbologia mais expressiva, pois o círculo é imagem do eterno, do infinito. Notamos isso, olhando uma circunferência. Ela não tem começo nem fim, pois, nela, o fim é um retorno ao começo. Não, porém, um retorno exaustivo, rotineiro, mas verdadeiramente um começo sempre novo, de vitalidade essencial.

09 – O círculo é, pois, imagem da vida eterna, e a vida eterna, como sabemos, não clama por progresso, visto não existir na eternidade carência, de forma alguma. A vida eterna – podemos afirmar – permanece em constante plenitude.

10 – Cada ano litúrgico, que celebramos e vivemos, deve ser um degrau que subimos rumo à eternidade do Pai. Em outras palavras, deve ser um crescendo cada vez mais vivo rumo à pátria celeste. Celebrar o Ano Litúrgico é como subir a montanha de Deus, não de maneira esportiva, como alpinista, mas como peregrino do Reino, onde, a cada subida, sente-se mais perto de Deus.

 

RITMO CÓSMICO DO ANO LITÚRGICO

11 – Como se sabe, o ano civil está inteiramente identificado com o ciclo solar, regendo-se pelos ditames das quatro estações, mas marcado também pelo movimento lunar, onde se contam as semanas. Ano, mês e dia, como frações do tempo, aqui se harmonizam, no desenvolvimento da vida humana.

12 – Na datação cósmica do Ano Litúrgico, seguindo a tradição judaica, os cristãos, no Hemisfério Norte, vão escolher, para a celebração anual da Páscoa, o equinócio da primavera, por este ser ponto de equilíbrio, de harmonia, de duração igual da noite e do dia, de equiparação, pois, entre horas de luz e horas de escuridão, momento de surgimento de vida nova na natureza e de renascimento da vida. Além da estação das flores, no Hemisfério Norte há ainda o simbolismo suplementar da lua cheia, dando a entender que, na ressurreição de Cristo, o dia tem vinte e quatro horas de luz.

13 – No Hemisfério Sul, onde vivemos, não estaremos contudo celebrando a Páscoa na primavera, mas no outono, dada a inversão do equinócio nos dois hemisférios. Daí, a polêmica entre estudiosos da liturgia, os quais reclamam uma data universal, fixa, para a Páscoa, não levando em conta a situação lunar, mas a solar. A Igreja está estudando essa problemática que, ao que tudo indica, virá no futuro.

14 – Nota explicativa: A Igreja, hoje, celebra a Páscoa não no dia quatorze do mês de Nisã, isto é, na data da páscoa judaica, como celebravam os cristãos da Ásia Menor e da Síria, mas no domingo seguinte, acabando assim com a controvérsia pascal do século segundo, por determinação do Concílio de Nicéia.

15 – Para a celebração do Natal, a evolução litúrgica vai escolher outro núcleo do ano. Este outro momento é o solstício de inverno, o “dies natalis solis invictus”, ou seja, o “dia de nascimento do sol invicto”. Isto também no Hemisfério Norte, pois, no Hemisfério Sul, nós nos encontramos em pleno verão. Neste tempo, os dias começam a crescer, e o sol, parecendo exausto e exangue, depois de uma longa marcha anual, renasce vivo e surpreendente. É neste contexto, do “Sol Invicto”, solsticial, que vai aparecer na face da Terra “o verdadeiro Sol Nascente” (Cf. Lc 1,78), isto é, Cristo Jesus Nosso Senhor. Também a antífona da Liturgia das Horas, do dia 24 de dezembro, inspirando-se no Sl 19,5-6, na sua realidade cósmico-histórico-salvífica, vai cantar belamente: “Quando o sol sair, vereis o Rei dos reis que vem do Pai, como o esposo sai da sua câmara nupcial”.

 

QUANDO SE INICIA O ANO LITÚRGICO?

16 – Diferente do ano civil, mas, como foi dito, não contrário a ele, o Ano Litúrgico não tem data fixa de início e de término. Sempre se inicia no primeiro Domingo do Advento, encerrando-se no sábado da 34ª semana do Tempo Comum, antes das vésperas do domingo, após a Solenidade de Cristo Rei do Universo. Esta última solenidade do Ano Litúrgico marca e simboliza a realeza absoluta de Cristo no fim dos tempos. Daí, sua celebração no fim do Ano Litúrgico, lembrando, porém, que a principal celebração litúrgica da realeza de Cristo se dá sobretudo no Domingo da Paixão e de Ramos.

17 – Mesmo sem uma data fixa de início, qualquer pessoa pode saber quando vai ter início o Ano Litúrgico, pois ele se inicia sempre no domingo mais próximo de 30 de novembro. Na prática, o domingo que cai entre os dias 27 de novembro e 3 de dezembro. A data de 30 de novembro é colocada também como referencial, porque nela a Igreja celebra a festa de Santo André, apóstolo, irmão de São Pedro, e Santo André foi, ao que tudo indica, um dos primeiros discípulos a seguir Cristo (Cf. Jo 1,40).

 

ANO LITÚRGICO E DINÂMICA DA SALVAÇÃO

18 – Tendo como centro o Mistério Pascal de Cristo, todo o Ano Litúrgico é dinamismo de salvação, onde a redenção operada por Deus, através de Jesus Cristo, no Espírito Santo, deve ser viva realidade em nossas vidas, pois o Ano Litúrgico nos propicia uma experiência mais viva do amor de Deus, enquanto nos mergulha no mistério de Cristo e de seu amor sem limites.

 

O DOMINGO, FUNDAMENTO DO ANO LITÚRGICO

19 – O Concílio Vaticano II (SC nº 6), fiel à tradição cristã e apostólica, afirma que o domingo, “Dia do Senhor”, é o fundamento do Ano Litúrgico, pois nele a Igreja celebra o mistério central de nossa fé, na páscoa semanal que, devido à tradição apostólica, se celebra a cada oitavo dia.

20 – O domingo é justamente o primeiro dia da semana, dia da ressurreição do Senhor, que nos lembra o primeiro dia da criação, no qual Deus criou a luz (Cf. Gn 1,3-5). Aqui, o Cristo ressuscitado aparece então como a verdadeira luz, dos homens e das nações. Todo o Novo Testamento está impregnado dessa verdade substancial, quando enfatiza a ressurreição no primeiro dia da semana (Cf. Mt 28,1; Mc 16,2; Lc 24,1; Jo 20,1; como também At 20,7 e Ap 1,10).

21 – Como o Tríduo Pascal da Morte e Ressurreição do Senhor derrama para todo o Ano Litúrgico a eficácia redentora de Cristo, assim também, igualmente, o domingo derrama para toda a semana a mesma vitalidade do Cristo Ressuscitado. O domingo é, na tradição da Igreja, na prática cristã e na liturgia, o “dia que o Senhor fez para nós” (Cf. Sl 117(118),24), dia, pois, da jubilosa alegria pascal.

 

AS DIVISÕES DO ANO LITÚRGICO

22 – Os mistérios sublimes de nossa fé, como vimos, são celebrados no Ano Litúrgico, e este se divide em dois grandes ciclos: o ciclo do Natal, em que se celebra o mistério da Encarnação do Filho de Deus, e o ciclo da Páscoa, em que celebramos o mistério da Paixão, Morte e Ressurreição do Senhor, como também sua ascensão ao céu e a vinda do Espírito Santo sobre a Igreja, na solenidade de Pentecostes.

23 – O ciclo do Natal se inicia no primeiro domingo do Advento e se encerra na Festa do Batismo do Senhor, tendo seu centro, isto é, sua culminância, na solenidade do Natal. Já o ciclo da Páscoa tem início na Quarta-Feira de Cinzas, início também da Quaresma, tendo o seu centro no Tríduo Pascal, encerrando-se no Domingo de Pentecostes. A solenidade de Pentecostes é o coroamento de todo o ciclo da Páscoa.

24 – Entremeando os dois ciclos do Ano Litúrgico, encontra-se um longo período, chamado “Tempo Comum”. É o tempo verde da vida litúrgica. Após o Natal, exprime a floração das alegrias natalinas, aí aparecendo o início da vida pública de Jesus, com suas primeiras pregações. Após o ciclo da Páscoa, este tempo verde anuncia vivamente a floração das alegrias pascais. Os dois ciclos litúrgicos, com suas duas irradiações vivas do Tempo Comum, são como que as quatro estações do Ano Litúrgico.

25 – Mais adiante estudaremos cada parte do Ano Litúrgico, com sua expressividade própria, suas celebrações, sua dinâmica e seu mistério.

 

O “SANTORAL” OU “PRÓPRIO DOS SANTOS”

26 – Em todo o Ano Litúrgico, exceto nos chamados tempos privilegiados (segunda parte do Advento, Oitava do Natal, Quaresma, Semana Santa e Oitava da Páscoa), a Igreja celebra a memória dos santos. Se no Natal e na Páscoa, Deus apresenta à Igreja o seu projeto de amor em Cristo Jesus, para a salvação de toda a humanidade, no Santoral a Igreja apresenta a Deus os copiosos frutos da redenção, colhidos na plantação de esperança do próprio Filho de Deus. São os filhos da Igreja, que seguiram fielmente o Cristo Senhor na estrada salvífica do Evangelho. Em outras palavras, o Santoral é a resposta solene da Igreja ao convite de Deus para a santidade.

 

AS CORES DO ANO LITÚRGICO

27 – Como a liturgia é ação simbólica, também as cores nela exercem um papel de vital importância, respeitada a cultura de nosso povo, os costumes e a tradição. Assim, é conveniente que se dê aqui a cor dos tempos litúrgicos e das festas. A cor diz respeito aos paramentos do celebrante, à toalha do altar e do ambão e a outros símbolos litúrgicos da celebração. Pode-se, pois, assim descrevê-la:

 Cor roxa

Usa-se: No Advento, na Quaresma, na Semana Santa (até Quinta-Feira Santa de manhã), e na celebração de Finados, como também nas exéquias.

 Cor branca

Usa-se: Na solenidade do Natal, no Tempo do Natal, na Quinta-Feira Santa, na Vigília Pascal do Sábado Santo, nas festas do Senhor e na celebração dos santos. Também no Tempo Pascal é predominante a cor branca.

 Cor vermelha

Usa-se: No Domingo da Paixão e de Ramos, na Sexta-Feira da Paixão, no Domingo de Pentecostes e na celebração dos mártires, apóstolos e evangelistas.

 Cor rosa

Pode-se usar: No terceiro Domingo do Advento (chamado “Gaudete”) e no quarto Domingo da Quaresma chamado “Laetare”). Esses dois domingos são classificados, na liturgia, de “domingos da alegria”, por causa do tom jubiloso de seus textos.

 Cor preta

Pode-se usar na celebração de Finados

 Cor verde

Usa-se: Em todo o Tempo Comum, exceto nas festas do Senhor nele celebradas, quando a cor litúrgica é o branco.

Nota explicativa: Se uma festa ou solenidade tomar o lugar da celebração do tempo litúrgico, usa-se então a cor litúrgica da festa ou solenidade. Exemplo: em 8 de dezembro, celebra-se a Solenidade da Imaculada Conceição. Neste caso, a cor litúrgica é então o branco, e não o roxo do Advento. Este mesmo critério é aplicável para a celebração dos dias de semana.

 

ESTRUTURA CELEBRATIVA E PEDAGÓGICA DO ANO LITÚRGICO

28 – Como se vê pelo gráfico, e como já foi referido neste trabalho, o Ano Litúrgico se divide em dois grandes ciclos: Natal e Páscoa. Entre eles situa-se o Tempo Comum, não os separando, mas os unindo, na unidade pascal e litúrgica.

29 – Em cada ciclo há três momentos, de grande importância para a compreensão mais exata da liturgia. São eles: um, de preparação para a festa principal; outro, de celebração solene, constituindo assim o seu centro; e outro ainda, de prolongamento da festa celebrada.

30 – No centro do Ano Litúrgico encontra-se Cristo, no seu Mistério Pascal (Paixão, Morte e Ressurreição). É o memorial do Senhor, que celebramos na Eucaristia. O Mistério Pascal é, portanto, o coração do Ano Litúrgico, isto é, o seu centro vital.

31 – O círculo é um símbolo expressivo da eternidade, e o Mistério Pascal de Cristo, no seu centro, constitui o eixo fundamental sobre o qual gira toda a liturgia.

 

ESTUDO PORMENORIZADO DE CADA CICLO COM SUAS CELEBRAÇÕES

CICLO DO NATAL

32 – Vejamos agora um pouco de cada momento do ciclo natalino, afim de se ter uma noção mais exata.

Preparação: Advento

Celebração: Natal

Prolongamento: Tempo do Natal

 Advento

33 – O Advento é um tempo forte na Igreja, onde nos preparamos para a celebração do Natal. Tem duas características, marcadas por dois momentos. O primeiro vai do primeiro domingo do Advento até o dia 16 de dezembro. Neste primeiro momento, a liturgia nos fala da segunda vinda do Senhor no fim dos tempos, a chamada escatologia cristã. Já o segundo momento vai do dia 17 ao dia 24 de dezembro. É como que a “semana santa” do Natal. Neste período, a liturgia vai nos falar mais diretamente da primeira vinda do Senhor, no Natal.

34 – No Advento temos quatro domingos, o terceiro chamado “Gaudete”, isto é, domingo da alegria.

Podemos dizer que os quatro domingos do Advento simbolizam os quatro grandes períodos em que Deus preparou a humanidade, de maneira progressiva, para a grande obra da redenção em Cristo. Esses quatro períodos são: 1º) O tempo que vai de Adão a Noé – 2º) O tempo de Noé a Abraão – 3º) O tempo de Abraão a Moisés – e 4º) O tempo que vai de Moisés a Cristo. Com Abraão começa, historicamente, a caminhada da salvação (Cf. Gn 12).

35 – Os quatro domingos simbolizam também as quatro estações do ano solar e as quatro semanas do mês lunar. Aqui se pode ver a harmonia entre tempo histórico e tempo cósmico. Também a coroa do Advento, em sua forma circular, com suas quatro velas, quer chamar nossa atenção, já no início do Ano Litúrgico, para o mistério de Deus que nele vamos celebrar. A cor verde dos ramos da coroa (pinheiro, principalmente), fala do mistério cristão, que nunca perde o seu verdor, e simboliza então a esperança e a vida eterna.

36 – Três personagens bíblicos marcam o tempo do Advento. São eles: o profeta Isaías, São João Batista e a Virgem Mãe de Deus. Não é tempo penitencial, no sentido próprio e litúrgico, mas tempo de expectativa, de moderação e de esperança. Por isso, a cor roxa não é muito apropriada para o Advento, mas, oficialmente, ela é a que se deve usar, como foi esclarecido no número 27 deste trabalho.

 Natal

37 – O Natal é a celebração principal de todo o ciclo natalino. Constitui portanto o seu centro. Cristo nasce em Belém da Judéia, em noite fria (inverno), mas traz do céu o calor vitalizante da santidade de Deus, em mensagem de paz dirigida sobretudo aos pobres, com quem se identifica mais plenamente, cumulando-os das riquezas do Reino. Sua “noite feliz” sinaliza para a “noite fulgurante” da Sagrada Vigília Pascal do Sábado Santo, onde as trevas são dissipadas, definitivamente, pela luz do Cristo Ressuscitado.

38 – No Natal se dá a união hipostática, ou seja, a natureza divina se une à natureza humana, numa só pessoa, a pessoa do Verbo Encarnado (Cf. Jo 1,14), mistério que transcende a compreensão humana. É pura humildade de Deus e pura gratuidade do amor divino.

 Tempo do Natal

39 – Como o Advento, tem também o Tempo do Natal dois momentos. Um, imediato: é a Oitava do Natal, que prolonga a solenidade natalina por oito dias, encerrando-se no dia primeiro de janeiro. O segundo momento vai de 2 de janeiro até a Festa do Batismo do Senhor, quando então se encerra o ciclo natalino.

40 – Vejamos agora as festas e solenidades do ciclo do Natal, nomeando-as, mas sem referência a aspectos celebrativos.

No Advento (além dos quatro domingos)

 Solenidade da Imaculada Conceição – em 8 de dezembro

 Festa de Nossa Senhora de Guadalupe – em 12 de dezembro

No Natal

 Solenidade principal do ciclo natalino, com vigília e três missas

No Tempo do Natal

São duas as solenidades e duas também as festas celebradas no Tempo do Natal, além, é claro, da solenidade principal de 25 de dezembro. São elas:

 Solenidade da Santa Mãe de Deus

Esta solenidade é celebrada em 1º de janeiro, com a qual se encerra, como vimos, a Oitava do Natal.

 Solenidade da Epifania

Epifania significa manifestação. É, pois, a manifestação de Jesus ao mundo, como salvador universal. Os magos simbolizam o conjunto das nações e dos povos. A Epifania marca, assim, a universalidade da redenção de maneira viva e simbólica. No Brasil, celebra-se a Epifania no domingo que cai entre os dias 2 a 8 de janeiro.

 Festa da Sagrada Família

Esta festa é celebrada no domingo que cai entre os dias 26 e 31 de dezembro. Se não houver domingo neste período, então a Festa da Sagrada família é celebrada no dia 30 de dezembro, em qualquer dia da semana.

 Festa do Batismo do Senhor

Com a Festa do Batismo do Senhor encerra-se o ciclo do Natal. A data de sua celebração depende da Solenidade da Epifania. Se a Epifania for celebrada até o dia 6 de janeiro, então o Batismo do Senhor se celebra no domingo seguinte. Se, porém, a Epifania for celebrada no dia 7 ou 8 de janeiro, então a Festa do Batismo do Senhor será celebrada no dia seguinte, isto é, na segunda-feira. A Festa do Batismo do Senhor marca o início da vida pública e missionária de Cristo.

41 – Três celebrações natalinas ainda existem, mas são comemoradas fora do ciclo do Natal: a festa da Apresentação do Senhor, em 2 de fevereiro, no Tempo Comum portanto; a solenidade de São José, esposo da Santíssima Virgem, em 19 de março, e a solenidade da Anunciação do Senhor, em 25 de março, estas duas últimas na Quaresma, sendo que, com referência à Anunciação, esta também pode cair, eventualmente, na Semana Santa. Nesta última hipótese, tal solenidade é transferida para depois da Oitava da Páscoa, uma vez que na Semana Santa não se pode fazer nenhuma comemoração que não seja a da sua própria liturgia.

42 – Dentro ainda da Oitava do Natal, três festas do “Santoral” são celebradas, mas com Vésperas da Oitava. São elas: Santo Estêvão, diácono e protomártir, em 26 de dezembro; São João, Apóstolo e Evangelista, em 27 de dezembro; e Santos Inocentes, em 28 de dezembro.

 

CICLO DA PÁSCOA

43 – Após pequenas considerações sobre o ciclo do Natal, vejamos agora alguns pontos do ciclo pascal, na riqueza também de sua estrutura celebrativa.

Preparação: Quaresma

Celebração: Tríduo Pascal da Paixão, Morte e Ressurreição do Senhor

Prolongamento: Tempo Pascal

44 – A exemplo do que se fez no Ciclo do Natal, aqui se explicita também um pouco cada momento do Ciclo da Páscoa.

 Quaresma

45 – Chamado, liturgicamente, de tempo de preparação penitencial para a Páscoa, a Quaresma, a exemplo também do Advento, tem dois momentos distintos: o primeiro vai da Quarta-Feira de Cinzas até o Domingo da Paixão e de Ramos, e o segundo, como preparação imediata, vai do Domingo de Ramos até a tarde de Quinta-Feira Santa, quando se encerra então o tempo quaresmal.

46 – O tempo da Quaresma é tempo privilegiado na vida da Igreja. É o chamado tempo forte, de conversão e de mudança de vida. Sua palavra-chave é: “metanóia”, ou seja, conversão. Nesse tempo se registram os grandes exercícios quaresmais: a prática da caridade e as obras de misericórdia. O jejum, a esmola e a oração são exercícios bíblicos até hoje recomendáveis, na imitação da espiritualidade judaica. No Brasil, realiza-se a Campanha da Fraternidade, com sua proposta concreta de ajuda aos irmãos, focalizando sempre um tema da vida social.

47 – Seis são os domingos da Quaresma, sendo o sexto já o Domingo de Ramos. Como se viu no Advento, tem também a Quaresma o seu domingo da alegria, o 4º domingo, chamado “Laetare”.

48 – A palavra “Quaresma” vem do latim “quadragésima”, isto é, “quarenta”, e está ligada a acontecimentos bíblicos, que dizem respeito à história da salvação: jejum de Moisés no Monte Sinai, caminhada de Elias para o Monte Horeb, caminhada do povo de Israel pelo deserto, jejum de Cristo no deserto etc..

 Tríduo Pascal da Paixão, Morte e Ressurreição do Senhor

49 – O Tríduo Pascal é o centro não só da Páscoa, mas também de toda a vida da Igreja. Na liturgia ocupa o primeiro lugar em ordem de grandeza, não havendo, pois, nenhuma outra celebração que se possa colocar em seu nível. É portanto o cume da liturgia e de todo o acontecimento da redenção. Por isso, deveria estar mais presente, como tema, em toda catequese e ser objeto de interiorização nos encontros eclesiais.

50 – Começa o Tríduo Pascal na Quinta-Feira Santa, na missa vespertina, chamada “Ceia do Senhor”, tem seu centro na Vigília Pascal do Sábado Santo e encerra-se com a missa vespertina do Domingo da Páscoa.

51 – O Tríduo Pascal não é – diga-se – um tríduo que nos prepara para o Domingo da Páscoa, mas um tríduo celebrativo do Mistério Pascal de Cristo, que culmina no domingo, “Dia do Senhor”. Trata-se, pois, de uma única celebração, em três momentos distintos.

52 – É tão fundamental o Tríduo Pascal que, sem ele, não existiria a liturgia, e o que teríamos era então uma Igreja sem sacramentos e sem a missionaridade redentora. Por que se diz isto? Porque, sem a ressurreição de Cristo – ensina-nos São Paulo (Cf. 1Cor 15,14) – vazia seria toda a pregação apostólica, como vã, vazia e sem sentido seria também a nossa fé. Estaríamos ainda acorrentados nos “Egitos” do mundo e presos aos grilhões do pecado e da morte.

53 – Aplica-se sobretudo ao Domingo da Páscoa tudo o que se disse sobre o domingo, como fundamento do Ano Litúrgico. E mais: o Domingo da Páscoa deve ser visto, celebrado e vivido como o “domingo dos domingos”, dia, pois, sagrado por excelência. Se todos os domingos do ano já têm primazia fundamental sobre todos os outros dias, o Domingo da Páscoa destaca-se ainda mais pela sua notoriedade cristã, dada a sua relação teológica com o Cristo Kyrios (Senhor).

 Tempo Pascal

54 – Com a reforma litúrgica do Concílio Vaticano II, somente duas celebrações hoje na Igreja têm “oitava”, isto é, um prolongamento festivo por oito dias, durante o qual a liturgia se volta para a solenidade principal. Estas duas celebrações são Natal e Páscoa. A Oitava da Páscoa vai, assim, do Domingo da Páscoa ao domingo seguinte.

55 – Os domingos do Tempo Pascal são chamados de “Domingos da Páscoa”, com a identificação de 1º, 2º etc.. São sete tais domingos, e, no sétimo, no Brasil se celebra a Solenidade da Ascensão do Senhor. Como se vê, o prolongamento mais extenso da Páscoa se dá então até a Solenidade de Pentecostes. Segundo Santo Atanásio, o Tempo Pascal deve ser celebrado como um “grande domingo”, ou seja, um domingo com duração de 50 dias.

Solenidades do Tempo Pascal

56 – Como já ficou evidenciado acima, além do Tríduo Pascal, que é a celebração principal da Páscoa, duas outras solenidades marcam também o Tempo Pascal. São elas:

 Ascensão do Senhor

57 – No Brasil, é o domingo que celebra a subida do Senhor ao céu, quarenta dias após a ressurreição (Cf. At 1,1-3). A data certa da solenidade seria na quinta-feira precedente, mas, como no Brasil não é feriado, transferiu-se então tal comemoração para o domingo seguinte, ocupando, pois, tal solenidade o lugar do 7º Domingo da Páscoa.

 Pentecostes

58 – Como sabemos, Pentecostes é o coroamento de todo o ciclo da Páscoa. É a solenidade que celebramos após 50 dias da ressurreição. Marca o início solene da vida da Igreja (Cf. At 2,1-41), não o seu nascimento, pois este se dá, misteriosamente, na Sexta-Feira Santa, do lado do Cristo Crucificado, como sua esposa imaculada.

59 – Pentecostes, como já foi dito, coroa a obra da redenção, pois nela Cristo cumpre a promessa feita aos apóstolos, segundo a qual enviaria o Espírito Santo Consolador, para os confirmar e os fortalecer na missão apostólica. A vinda do Espírito Santo, no episódio bíblico de At 2,1-4, deve ser entendida em dimensão também eclesiológica, ou seja, como ação estendida a toda a Igreja, no desejo do Pai e do Filho. Com Pentecostes encerra-se, pois, o ciclo da Páscoa.

 

TEMPO COMUM

60 – Após pequenas considerações sobre os dois ciclos do Ano Litúrgico, vamos agora a um pequeno comentário sobre o Tempo Comum. Por “Tempo Comum”, devemos entender – repetimos – aquele longo período, que se encontra entre os ciclos do Natal e da Páscoa. Na prática são 33 ou 34 semanas.

61 – Começa esse tempo litúrgico na segunda-feira após a Festa do Batismo do Senhor, ou na terça-feira, quando a Epifania é celebrada no dia 7 ou 8 de janeiro, hipótese em que o Batismo do Senhor é celebrado então na segunda-feira. Na terça-feira de Carnaval, o Tempo Comum se interrompe, reiniciando-se na segunda-feira depois do Domingo de Pentecostes e prolongando-se até o sábado que precede o primeiro Domingo do Advento.

62 – No Tempo Comum não se celebra um aspecto de nossa fé, como é o caso do Natal (Encarnação), e Páscoa (Redenção), mas celebra-se todo o mistério de Deus, em sua plenitude. Uma temática pode, porém, nele aparecer, quando nele se celebram algumas solenidades, como “Santíssima Trindade”, “Corpus Christi” etc., chamadas na liturgia de “Solenidades do Senhor no Tempo Comum”.

63 – Não existe uma liturgia para o 1º Domingo do Tempo Comum, porque, neste, a Igreja celebra, nas hipóteses já referidas, a Festa do Batismo do Senhor. Diz-se então, iniciando esse período, “primeira semana do Tempo Comum”, que começa na segunda-feira ou na terça-feira, como já vimos. A partir do segundo domingo é que começa, oficialmente, a enumeração dos domingos do Tempo Comum, como conhecemos.

64 – Dadas como foram as festas e solenidades dos dois ciclos litúrgicos, aqui são dadas também, agora, as festas e solenidades do “Santoral”, celebradas, em sua maioria, no Tempo Comum, salvo aquelas já referidas nos ciclos comentados. Vejamos então:

 

Solenidades do Senhor no Tempo Comum

65 – São quatro as celebrações assim denominadas. São também móveis, isto é, sua data de celebração depende da Páscoa. Ei-las:

 Santíssima Trindade

Celebra-se no domingo seguinte ao de Pentecostes

 Sagrado Corpo e Sangue do Senhor

Celebra-se na quinta-feira após a solenidade da Santíssima Trindade

 Sagrado Coração de Jesus

Sua celebração se dá na 2ª sexta-feira após “Corpus Christi”

 Nosso Senhor Jesus Cristo, Rei do Universo

É celebrada no último domingo do Tempo Comum, ocupando o lugar do 34º domingo.

66 – Também no Tempo Comum são celebradas algumas festas do Senhor. Estas, quando caem no domingo, ocupam o seu lugar. São elas:

 Apresentação do Senhor

Celebra-se no dia 2 de fevereiro

 Transfiguração do Senhor

Sua celebração é em 6 de agosto

 Exaltação da Santa Cruz

Celebra-se em 14 de setembro

67 – Além das “festas do Senhor” acima referidas, outras festas e solenidades são celebradas no Tempo Comum, pertencentes então ao “Santoral”. Ei-las:

 

Solenidades

 Natividade de São João Batista – em 24 de junho

 São Pedro e São Paulo – em 29 de junho (ou no domingo seguinte)

 Assunção de Nossa Senhora – em 15 de agosto (no Brasil, no domingo seguinte)

 Nossa Senhora Aparecida – em 12 de outubro

 Todos os Santos – no 1º domingo de novembro. Se, porém, o dia de “Finados” for domingo, a solenidade de “Todos os Santos” é celebrada então no dia primeiro, sábado. Isto porque “Finados” tem precedência litúrgica e é celebração fixa de 2 de novembro.

Nota: As solenidades do “Santoral”, quando caem no Domingo Comum, ocupam também o seu lugar. É o caso aqui da “Natividade de São João Batista” e “Nossa Senhora da Conceição Aparecida”.

Festas do “Santoral” celebradas no Tempo Comum

 Conversão de São Paulo, Apóstolo – em 25 de janeiro

 Cátedra de São Pedro – em 22 de fevereiro

 São Marcos, Evangelista – em 25 de abril

 São Filipe e São Tiago – em 3 de maio

 São Matias, Apóstolo – em 14 de maio

 Visitação de Nossa Senhora – em 31 de maio

 São Tomé, Apóstolo – em 3 de julho

 São Tiago Maior, Apóstolo – em 25 de julho

 São Lourenço, Diácono e mártir – em 10 de agosto

 Santa Rosa de Lima – em 23 de agosto

 São Bartolomeu, Apóstolo – em 24 de agosto

 Natividade de Nossa Senhora – em 8 de setembro

 São Mateus, apóstolo e evangelista – em 21 de setembro

 São Miguel, São Gabriel e São Rafael, arcanjos – em 29 de setembro

 São Lucas, evangelista – em 18 de outubro

 São Simão e São Judas Tadeu – em 28 de outubro (apóstolos)

 Dedicação da Basílica de Latrão – em 9 de novembro

 Santo André, Apóstolo – em 30 de novembro

68 – Neste trabalho não houve referência às memórias (obrigatórias ou facultativas), que a Igreja celebra também durante todo o ano litúrgico. As memórias são omitidas quando caem no domingo e nos tempos privilegiados, podendo contudo ser celebradas como facultativas, nas normas litúrgicas. Quanto às festas dos santos, são também omitidas quando caem nos domingos, mas são celebradas nos dias de semana dos tempos privilegiados.

69 – Chamam-se “Próprio do Tempo” as celebrações dos ciclos festivos (Natal e Páscoa), como também as do Tempo Comum, ligadas ao mistério da redenção. As celebrações dos santos são chamadas “Próprio dos Santos”, ou “Santoral”.

 

GRAUS DAS CELEBRAÇÕES E PRECEDÊNCIA DOS DIAS LITÚRGICOS

70 – Um dado importante vamos ver agora: é que o aspecto hierárquico da Igreja estende-se também à liturgia. Assim, entende-se que, na liturgia, não só os ritos têm grau de importância diferente, como também as próprias celebrações divergem quanto à sua importância litúrgica.

71 – Podemos afirmar então que existem graus e precedência nas celebrações, e se dizemos genericamente “festas”, três na verdade são os graus da celebração: “solenidade”, “festa” e “memória”, podendo esta última ser ainda obrigatória ou facultativa. Neste subsídio, a palavra “festa” sempre é usada no conceito aqui ora exposto, a fim de evitar mal-entendidos. Vejamos então:

 

 Solenidade

72 – É o grau máximo da celebração litúrgica, isto é, aquele que admite, como o próprio nome sugere, todos os aspectos solenes e próprios da liturgia. Na “solenidade”, então, três são as leituras bíblicas, canta-se o “Glória” e faz-se a profissão de fé. Para a maioria das solenidades existe também prefácio próprio. Embora no mesmo grau, as “solenidades” distinguem-se ainda, entre si, quanto à precedência. Somente o Tríduo Pascal da Paixão, Morte e ressurreição do Senhor está na liturgia em posição única. As demais solenidades portanto se acham na tabela oficial distinguindo-se apenas quanto ao lugar que ocupam no mesmo nível. Assim, depois do Tríduo Pascal, temos: Natal, Epifania, Ascensão e Pentecostes, o que equivale a dizer que estas quatro solenidades são as mais importantes depois do Tríduo Pascal, mas Natal vem em primeiro lugar, na ordem descrita.

 

 Festa

73 – “Festa” é a celebração um pouco inferior à “solenidade”. Identifica-se, inicialmente, com as do dia comum, mas nela canta-se o “Glória” e pode ter prefácio próprio, dependendo de sua importância. Com referência a “festa” e “solenidade”, na Liturgia das Horas (Ofício das Leituras), canta-se ainda o “Te Deum”, fora, porém, da Quaresma. Como já se falou , as “festas” do Santoral são omitidas quando caem em domingo.

 

 Memória

74 – “Memória” é, sempre, celebração de santos, um pouco ainda inferior ao grau de “festa”. Na celebração da “memória”, não se canta o “Glória”. A “memória” é obrigatória quando o santo goza de veneração universal. Isto quer dizer que em toda a Igreja se celebra a sua memória. É, porém, facultativa quando se dá o contrário, ou seja, quando somente em alguns países ou regiões ele é cultuado.

75 – As “memórias” não são celebradas nos chamados tempos privilegiados, a não ser como facultativas, e dentro das normas litúrgicas para a missa e Liturgia das Horas, conforme já se falou neste trabalho. Quando caem em domingo, são também omitidas, repetindo-se aqui o que já foi explanado.

76 – A “memória” pode tornar-se “festa”, ou mesmo “solenidade”, quando celebração própria, ou seja, quando o santo festejado for padroeiro principal de um lugar ou cidade, titular de uma catedral, como também quando for titular, fundador ou padroeiro principal de uma Ordem ou Congregação. Também a “festa” pode tornar-se “solenidade” nas circunstâncias litúrgicas aqui descritas, estendendo-se esse entendimento às celebrações de aniversário de dedicação ou consagração de igrejas.

 

BIBLIOGRAFIA

1 – Missal Romano

2 – Normas Universais do Ano Litúrgico e do Calendário

3 – Documento da CNBB – nº 43

4 – Ano Litúrgico (Adolf Adam)

5 – Documentos Pontifícios nº 144 (SC) – Concílio Vaticano II

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Chiara Corbella Petrillo: uma nova Gianna Beretta Molla.

Jovem morreu por priorizar gravidez a tratamento de câncer.

ROMA, segunda-feira, 18 de junho de 2012 (ZENIT.org) – Neste sábado, na igreja de Santa Francisca Romana, da capital italiana, foi celebrado o funeral da jovem Chiara Petrillo, falecida depois de dois anos de sofrimento provocado por um tumor.

A cerimônia não teve nada de fúnebre: foi uma grande festa em que participaram cerca de mil pessoas, lotando a igreja, cantando e aplaudindo desde a entrada do caixão até a saída.

A extraordinária história de Chiara se difundiu pela internet com um vídeo no YouTube, que registrou mais de 500 visualizações em apenas um dia.

A luminosa jovem romana de 28 anos, com o sorriso sempre nos lábios, morreu porque escolher adiar o tratamento que podia salvá-la. Ela preferiu priorizar a gravidez de Francisco, um menino desejado desde o começo de seu casamento com Enrico.

Não era a primeira gravidez de Chiara. As duas anteriores acabaram com a morte dos bebês logo após cada parto, devido a graves malformações.

Sofrimentos, traumas, desânimo. Chiara e Enrico, porém, nunca se fecharam para a vida. Depois de algum tempo, chegou Francisco.

As ecografias agora confirmavam a boa saúde do menino, mas, no quinto mês, Chiara teve diagnosticada pelos médicos uma lesão na língua. Depois de uma primeira intervenção, confirmou-se a pior das hipóteses: era um carcinoma.

Começou uma nova série de lutas. Chiara e o marido não perderam a fé. Aliando-se a Deus, decidiram mais uma vez dizer sim à vida.

Chiara defendeu Francisco sem pensar duas vezes e, correndo um grave risco, adiou seu tratamento para levar a maternidade adiante. Só depois do parto é que a jovem pôde passar por uma nova intervenção cirúrgica, desta vez mais radical. Vieram os sucessivos ciclos de químio e radioterapia.

Francisco nasceu sadio no dia 30 de maio de 2011. Mas Chiara, consumida até perder a vista do olho direito, não conseguiu resistir por mais do que um ano. Na quarta-feira passada, por volta do meio dia, rodeada de parentes e de amigos, a sua batalha contra o dragão que a perseguia, como ela definia o tumor em referência à leitura do apocalipse, terminou.

Mas na mesma leitura, que não foi escolhida por acaso para a cerimônia fúnebre, ficamos sabendo também que uma mulher derrota o dragão. Chiara perdeu um combate na terra, mas ganhou a vida eterna e deixou para todos um testemunho verdadeiro de santidade.

 “Uma nova Gianna Beretta Molla”, definiu-a o cardeal vigário de Roma, Agostino Vallini, que prestou homenagem pessoalmente a Chiara, a quem conhecera havia poucos meses, juntamente com Enrico.

“A vida é um bordado que olhamos ao contrário, pela parte cheia de fios soltos”, disse o purpurado. “Mas, de vez em quando, a fé nos faz ver a outra parte”. É o caso de Chiara, segundo o cardeal: “Uma grande lição de vida, uma luz, fruto de um maravilhoso desígnio divino que escapa ao nosso entendimento, mas que existe”.

“Eu não sei o que Deus preparou para nós através desta mulher”, acrescentou, “mas certamente é algo que não podemos perder. Vamos acolher esta herança que nos lembra o justo valor de cada pequeno gesto do cotidiano”.

“Nesta manhã, estamos vendo o que o centurião viveu há dois mil anos, ao ver Jesus morrer na cruz e proclamar: Este era verdadeiramente o filho de Deus”, afirmou em sua homilia o jovem franciscano frei Vito, que assistiu espiritualmente Chiara e a família no último período.

“A morte de Chiara foi o cumprimento de uma prece. Depois do diagnóstico de 4 de abril, que a declarou doente terminal, ela pediu um milagre: não a própria cura, mas o milagre de viver a doença e o sofrimento na paz, junto com as pessoas mais próximas”.

“E nós”, prosseguiu frei Vito, visivelmente emocionado, “vimos morrer uma mulher não apenas serena, mas feliz”. Uma mulher que viveu desgastando a vida por amor aos outros, chegando a confiar a Enrico: “Talvez, no fundo, eu não queira a cura. Um marido feliz e um filho sereno, mesmo sem ter a mãe por perto, são um testemunho maior do que uma mulher que venceu a doença. Um testemunho que poderia salvar muitas pessoas…”.

A esta fé, Chiara chegou pouco a pouco, “seguindo a regra assumida em Assis pelos franciscanos que ela tanto amava: pequenos passos possíveis”. Um modo, explicou o frade, “de enfrentar o medo do passado e do futuro perante os grandes eventos, e que ensina a começar pelas coisas pequenas. Nós não podemos transformar a água em vinho, mas podemos começar a encher os odres. Chiara acreditava nisto e isto a ajudou a viver uma vida santa e, portanto, uma morte santa, passo a passo”.

Todas as pessoas presentes levaram da igreja uma plantinha, por vontade de Chiara, que não queria flores em seu funeral. Ela preferia que cada um recebesse um presente. E no coração, todos levaram um “pedacinho” desse testemunho, orando e pedindo graças a esta jovem mulher que, um dia, quem sabe, será chamada de beata Chiara Corbela.

(Tradução:ZENIT)

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KUTLESS what faith can do

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Pe. José Augusto – A ausência do diálogo assola a estrutura do relaciomanento conjugal

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Enchei-vos do Espírito Santo

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Beata Elena Guerra – Precussora do Espírito Santo

No fim do século XIX, a Beata Elena Guerra, fundadora das Irmãs Oblatas do Espírito Santo, em Lucca, Itália, pediu insistentemente ao Papa Leão XIII para reconduzir a Igreja ao Cenáculo. De 1895 a 1903, a Irmã Elena, movida pelo Espírito Santo, escreveu doze cartas confidenciais ao Papa pedindo-lhe uma renovação da pregação sobre o Espírito Santo.

 

Nos seus diferentes escritos ao Sumo Pontífice, ela exortava-o a convidar os fiéis a redescobrir o que é uma vida vivida sob a ação do Espírito Santo. Na sua oração, ela pedia uma renovação da Igreja, a unidade dos cristãos, uma renovação da sociedade e por isso mesmo “uma renovação da face da terra”.

 

No seu coração, havia a ideia de um Pentecostes permanente; dizia ela:

 

O Pentecostes não terminou; de fato é sempre Pentecostes em todos os tempos e em todos os lugares, porque o Espírito Santo deseja ardentemente dar-se a todos os homens e, aqueles que o desejam, podem recebê-lo sempre; portanto não temos nada a invejar aos Apóstolos e aos primeiros cristãos; nós só temos que nos dispor, como eles, a recebê-lo bem e Ele virá a nós como veio a eles.

 

Para pedir esta renovação, a Irmã Elena teve também a idéia de um movimento mundial de oração segundo o modelo do Cenáculo de Jerusalém, onde Jesus celebrou a última Ceia.

 

Exatamente onde no dia de Pentecostes, Jesus cumpriu a sua promessa de enviar o Espírito Santo, enquanto cento e vinte pessoas, entre as quais os Apóstolos e Maria, Mãe de Jesus, estavam reunidos em oração incessante. A Irmã Elena declarava:

 

“Oh, se de todos os lugares da cristandade, se pudesse elevar ao Céu uma oração tão unânime e fervorosa como a do Cenáculo de Jerusalém, para reacender o fogo do Espírito Divino!”

 

Incitado pela Irmã Elena, Leão XIII publicou vários documentos importantes sobre o Espírito Santo. Primeiro, em 1895, escreveu uma Carta Apostólica, Provida Matris Caritate, a qual terminava pedindo aos fiéis para rezarem uma novena solene (9 dias de oração) ao Espírito Santo, entre as Festas da Ascensão e do Pentecostes, suplicando a unidade dos cristãos. Houve um segundo documento em 1897, uma Encíclica sobre o Espírito Santo, Divinum Illud Munus, que terminava também convidando os fiéis a lembrarem-se da novena solene que tinha sido pedida em 1895. Declarava que a novena não era para ser limitada a um único ano, mas que devia ser uma novena perpétua, celebrada cada ano entre as Festas da Ascensão e do Pentecostes e sempre com a mesma intenção: a unidade dos cristãos.

 

Quando olhamos para os inícios da Renovação Carismática Católica em 1967, dois anos após o final do Concílio Vaticano II e setenta anos após a Encíclica de Leão XIII sobre o Espírito Santo, recordamo-nos muitas vezes das palavras de João XXIII que, na preparação do Concílio Vaticano II, pediu a todos os fiéis que rezassem por “um novo Pentecostes”. Além disso, a primeira pessoa a ser beatificada por João XXIII foi a Irmã Elena Guerra a quem ele chamou “uma Apóstola do Espírito Santo” para os nossos dias.

 

“Renova as tuas maravilhas no nosso tempo, como num novo Pentecostes. Concede à tua Igreja que, num só coração, seja assídua à oração com Maria, Mãe de Jesus, e sob a condução do bem-aventurado Pedro, possa avançar o reino do nosso divino Salvador, reino de verdade e de justiça, reino de amor e de paz. Ámem.”

 

(Kim Catherine-Marie Kollins)

 

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